
O dia-a-dia no campo de batalha era só mais um despertar de um pesadelo, que afetava nossa realidade de forma bruta, com explosões e tiroteios. Estava vivendo no limite e cada segundo que passava era um eterno fogo contra fogo. Para o Rei dos reis, éramos os doze condenados.
Apelidado de o Exterminador, o nosso batalhão passou por dias de treinamento. Éramos nascidos para matar o inimigo em círculos de fogo. Andando além da linha vermelha, fomos capturados em uma emboscada pelo exército japonês, que havia bombardeado Pearl Harbor.
Eu comandava 11 soldados, entre eles os meus antigos amigos Patton e Ryan, além de Truman, Gump, Potter, Ben Hur, Kane, MacGyver, Bond, Bean e Carlitos.
O cativeiro parecia uma fortaleza. Demos o nome de alcatraz, pois era missão impossível tentar escapar. Toda manhã havia um novo dia para morrer e o primeiro foi o jovem justiceiro Harry Potter, morto asfixiado em uma câmara secreta no 13º andar de uma das duas torres, próximo à ponte do rio Kwai. Foi triste: ficamos calados e cabisbaixos, éramos os reféns do silêncio.
O dia seguinte foi o mais longo dos dias. Estávamos de volta ao inferno quando todos os prisioneiros foram marcados para a morte. MacGyver era o salvador. Com seu canivete suíço, conseguiu, em 60 segundos, abrir a cela. Libertamos os outros prisioneiros do local e corremos velozes e furiosos, atacando os sete samurais que estavam de carcereiros. Pegamos nossas armas e nos preparamos para um mortal kombat com os japoneses. Escondidos, aguardávamos os sinais de Bond, o nosso franco atirador, que preparava a nossa fuga do inferno. Éramos o alvo principal das forças inimigas e qualquer ruído seria uma fatalidade, ou o confronto que marcaria nossas vidas. Um clima de alta tensão pairava no ar, estávamos com os nervos à flor da pele, os soldados estavam suando frio à espera de um milagre. Após Bond sinalizar a melhor passagem para a louca escapada, o pelotão correu numa busca frenética pela sobrevivência, mas acabamos nos deparando com um grande duelo.
Tiroteios aos montes. Um enxame de balas passavam a 8mm de nossas cabeças. Tiros de misericórdia, tiros no coração, tiro na noite, noite interminável. Já passava do 6º dia, madrugada sangrenta, regada a rajadas de fogo, em um céu iluminado por relâmpagos de explosões.
Depois de 15 minutos de intensa correria, conseguimos nos esconder e pelo rádio de alta freqüência de Patton, consegui chamar reforços. Olhei para os lados e contei, além de mim, 10 corações valentes e logo exclamei para Patton: - Onde está Ryan?
Neste momento crítico, fiz contato com as forças aliadas, que enviaram mantimentos, medicamentos e helicópteros. Decolei com Patton e Truman em uma busca alucinada para o resgate do soldado Ryan, atrás das linhas inimigas. Rasgando o céu em chamas, em águias de aço, conseguimos resgatar Ryan.
Do alto, só escutávamos os gritos do silêncio. A palavra destruição era pouco para os rios vermelhos de sangue, formado pelo apocalypse no império do sol.
Foram 28 dias de pura agonia. Nada melhor do que voltar para casa e ver o choro de felicidade de nossas famílias, compartilhando amor e dor lado a lado em fortes e longos incansáveis abraços de carinho.
Fomos heróis de guerra porque lutamos até o limite da honra, com determinação e bravura indômita. Depois de heróis, o pelotão se separou e cada um dos guerreiros foi viver os tempos modernos. Patton seguiu carreira e se tornou um General; Truman ganhou a graça do público e virou apresentador de televisão, montando o seu Show de Truman; o soldado e cidadão Kane virou um forte político e ficou milionário; Ben Hur casou-se na Grécia e foi morar em Roma; James Bond tornou-se ator de Hollywood; MacGyver foi trabalhar como produtor de minissérie de TV; Bean e Carlitos tornaram-se comediantes (Mr. Bean e Chaplin); Gump tornou-se contador de histórias e Ryan se aposentou e foi morar no interior dos Estados Unidos.
Eu? Bem, após uma noite no museu da Segunda Guerra, recordando todo esse caos, tornei-me um jornalista. O único problema dessa trágica lembrança é que não esperava que fosse convocado a participar de uma outra guerra. Desta vez, não serei membro de uma tropa de elite, mas comandarei um programa de rádio, chamado Bom Dia Vietnã.
Por Ricardo Morgan: cinetrix@hotmail.com

Mostra ressalta o lirismo do cinema iraniano no CCBH
No mês de setembro, o CCBH homenageia o "Cinema Iraniano" em mostra que reúne longas de diversas épocas, entre os quais estão "Através das Oliveiras", "O Gosto da Cereja", "O Círculo", "Baran", "O voto é Secreto", "A Cor do Paraíso", "Às Cinco da Tarde" e "Dois Anjos". As sessões acontecem nas sextas-feiras e aos domingos, sempre às 19h, na Sala Multimeios do CCBH. A entrada é franca e os ingressos disponíveis serão distribuídos meia hora antes de cada sessão. A promoção é da Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Fundação Municipal da Cultura e do Centro de Cultura Belo Horizonte, localizado na Rua da Bahia, 1149, Centro.
Desde o fim da Guerra Irã-Iraque e do final dos anos 80, quando o Irã passou por uma efervescência política e cultural, o cinema iraniano vem conquistando o mundo e, principalmente, o Brasil. De intensidade poética e contemplativa, dotados de um realismo lírico com forte carga humanista, este cinema vem se destacando nos festivais internacionais e na "imprensa cinematográfica". Para explicar essa ascensão, o diretor iraniano Mohsen Makhmalbf diz que o cinema do Irã vende lirismo, reflexão e sentimento. "Enquanto que o cinema ocidental oferece sexo e violência, o cinema Indiano vende sonhos e o cinema Iraniano tenta vender poesia", diz Mohsen, em entrevista concedida ao site Estação Virtual (www.estacaovirtual.com).
É por meio de um cinema autêntico e de talentosos diretores, como Abbas Kiarostami, Mohsen Makmalbaf e Majid Majidi, que o Irã procura demostrar ao mundo que é um país de forte identidade cultural, longe dos tradicionais estereótipos criados pela indústria cinematográfica ocidental.
Confira a programação:
Dia 03/09
– Através das Oliveiras (IRA/FRA/1994/Direção: Abbas Kiarostami).Dia 05/09 – O Gosto da Cereja (IRA/1997/Direção: Abbas Kiarostami).
Dia 10/09 – O Círculo (IRA/2000/Direção: Jafar Panahi).
Dia 12/09 – Baran (IRA/2001/Direção: Majid Majidi).
Dia 17/09 – O Voto é Secreto (IRA/CAN/ITA/SUI/2001/Direção: Babak Papayami).
Dia 19/09 – A Cor do Paraíso (IRA/2003/Direção: Majid Majidi).
Dia 24/09 – Às Cinco da tarde (IRA/FRA/2003/Direção: Samira Makhmalbaf).
Dia 26/09 – Dois Anjos (IRA/FRA/2003/Direção: Mamad Haghighat).
Mais Informações
: 3277-4497 (CCBH)
Michael Bay erra a mão em “Transformers”
Quando chega aos cinemas um filme dirigido por Michael Bay, o espectador deve ignorar o roteiro e os clichês para se deslumbrar com os excelentes efeitos visuais e se distrair com a fantástica correria promovida pelo diretor. Isso são estratégias que utilizo para me divertir e para não me arrepender com o caro ingresso pago para a sessão. Não é atoa que sempre considerei Bay como um dos melhores cineastas de ação. O seu estilo é marcado por um intenso ritmo frenético dosado com a habilidade de criar espetaculares cenas de perseguições, tiroteios e explosões. Infelizmente, a boa “seqüência de ação” do diretor ("Os Bad Boys", "Armageddon", "Pearl Harbor", "Os Bad Boys 2","A Ilha") é interrompida com este "Transformers", transposição cinematográfica de um desenho animado e da linha de brinquedos dos anos 80 da Companhia Hasbro. O filme, um dos mais esperados de 2007 e curiosamente produzido por Steven Spielberg, decepciona no conteúdo e Bay erra a mão na frenesi deixando-o confuso, cansativo e com fraco poder de encantamento. Claro, para quem gosta de carros e de desfiles de marcas de produtos, o longa não decepciona.
Duas raças de alienígenas robôs, os Autobots (os operários bonzinhos de olhos azuis) e os Decepticons (os militares mal encarados de olhos vermelhos), estão em guerra há séculos. O duelo fez com que o planeta natal Cybertron fosse destruído, deixando os robôs vagando pelo universo a procura de fontes de energias. Quando a batalha chega a Terra, os Decepticons procuram um estranho cubo, que pode ser a chave de sobrevivência da humanidade, cujo mapa está guardado com o adolescente Sam Witwicky (Shia LaBeouf). Sem saber da importância do tal mapa, Sam e sua amiga Mikaela (Megan Fox), são protegidos pelos Autobots numa guerra entre robôs gigantes, capazes de se transformarem em carros e aparelhos eletrônicos.
"Transformers", embora tenha clichês aos montes, como o tom maniqueísta da trama, o nerd que é rejeitado pelos colegas jogadores de futebol americano que namoram belas garotas e vilões alienígenas que percorrem universos em busca de novas fontes de energia, começa bem apresentando seus personagens. Destaques para a seqüência inicial quando um robô em forma de helicóptero ataca uma base norte-americana no Qatar e a desenvoltura cômica do protagonista. A contextualização do longa soa positivo, principalmente com o elenco robótico. O Bumblebee, carro de Sam, no desenho era um fusca e agora é um Camaro; e o líder dos Decepticons, Megatron, era um revólver e agora é um avião de guerra.
* * * Continua abaixo * * *

O roteiro, escrito por Roberto Orci e Alex Kurtzman ("A Ilha" e "Missão Impossível 3") começa a desandar à medida que os robôs começam a surgir na tela. Um dos problemas do script, a partir daí, são a falta de explicação, que torna a história confusa e ainda mais absurda, os diálogos vazios e a falta de desenvolvimento dos personagens que, aliado ao senso de humor rasteiro, ora engraçado ora bobo, torna-os caricatos. Inclusive, falando do elenco, Jon Voigth não fede nem cheira e a presença de John Torturo está patética. Os humanos, apenas os protagonistas ganham destaque, como o carismático Shia LaBeouf ("Constantine"), a bela e estreante Megan Fox, além do dublador da série animada Peter Cullen, que empresta novamente sua voz ao líder dos Autobots, Optimus Prime.
Outros problemas que norteiam "Transformers" são os furos de roteiro e o excesso de duração. Com mais de 140 minutos, o longa não conseguiu concluir as histórias soltas. Sem falar quando essas narrativas vêm acompanhadas de furos, como os óculos do avô de Sam que perde repentinamente a importância na trama para o tal cubo.
A parte técnica e os robôs são as grandes atrações, principalmente os espetaculares efeitos visuais da Industrial Light & Magic e a engenharia de som, que traz efeitos sonoros de arrepiar. As transmutações e os movimentos naturais dos robôs (a de Optimus Prime, por exemplo), as texturas metálicas e a pancadaria no meio da cidade provocando muita destruição são de um realismo impressionante. Entretanto, o ritmo frenético imposto por Bay em algumas cenas de ação deixa os efeitos sem impacto e, às vezes, incompreensível, como a falta de tempo para observarmos os detalhes dos efeitos.
Falando em pancadaria, Bay utilizou todas as suas artimanhas, como a câmera ora lenta ora inquieta e os ângulos em contra-plongée (filmado de baixo para cima para enaltecer os protagonistas). Inclusive repete alguns planos trabalhados em seqüências de ação de seus filmes anteriores, como o travelling circular visto em "Os Bad Boys 2" e as semelhantes cenas de destruição em plena correria, como os carros que caem de um caminhão cegonha em "Os Bad Boys 2", que também são vistas em "A Ilha", quando rodas de trem se desprendem de um caminhão em movimento.
É uma pena que "Transformers" tenha pontos negativos naquilo que Bay é especialista. Só espero que na possível continuação venha com uma voltagem mais baixa.
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(Transformers/EUA/2007) * *
Crítica N.º 489
Por Ricardo Morgan: cinetrix@hotmail.com
Belo Horizonte – 12/08/07
Confira o trailer de "Transformers":

Casa do Baile mostra no telão temas de relevância social e ambiental
Um clássico e dois documentários compõem o importante tema "Cidades: Sociedade e Meio Ambiente" na mostra "Filme no Baile", na Casa do Baile. As exibições acontecem nos dias 4, 11 e 25, às 17h, com "Muito Além do Jardim", de Hal Ashby, "A Carne é Fraca", de Denise Gonçalves, e "Uma verdade Inconveniente", de Davis Guggenheim. O evento tem entrada franca e os ingressos serão distribuídos 15 minutos antes das sessões. A promoção é da Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Fundação Municipal de Cultura e da Casa do Baile, localizada na Avenida Otacílio Negrão de Lima, 751, na Pampulha.
Confira a programação:
Dia 04/08 – Muito Além do Jardim (EUA/1979/Direção: Hal Ashby). Chance (Peter Sellers) é o jardineiro de um milionário em Washington D.C. e vive isolado do mundo. Tudo que sabe aprendeu através da TV ou cuidando do jardim. Depois que seu patrão morre e Chance perde o emprego, o acaso faz com que conheça a rica Eve Rand (Shirley MacLaine), que o introduz ao restrito círculo dos poderosos da cidade. Bem vestido e com um falar polido, todos o tomam por um homem culto e inteligente, e ele vai ganhando respeito e importância nesta alta roda que passou a freqüentar. Elenco: Peter Sellers, Shirley MacLaine, Melvyn Douglas, Jack Warden, Richard Dysart, Richard Basehart e Ruth Attaway.
Dia 11/08 – A Carne é Fraca (BRA/2004/Direção: Denise Gonçalves). Este documentário, produzido pelo Instituto Nina Rosa e dirigido por Denise Gonçalves, mostra a realidade nos abatedouros no Brasil e o impacto ambiental causado por essas empresas de abate.
Dia 25/08 – Uma Verdade Inconveniente (EUA/2006/Direção: Davis Guggenheim). A maioria conhece o político Al Gore somente pelo fato dele ter sido derrotado por George W. Bush na campanha eleitoral pela presidência dos EUA em 2000. Este documentário mostra esforços de Gore a fim de alertar a população mundial em relação ao superaquecimento global. Elenco: Al Gore.
Mais Informações: 3277-7443 (Rodrigo – Casa do Baile)

Subterrâneos homenageia as "Mulheres no Cinema" em mostra no CCBH
O Cineclube Subterrâneos apresenta, na edição de agosto, filmes sobre "Mulheres no Cinema". Os longas "Madre Joana dos Anjos", "Faster Pussycat! Kill! Kill!", "Despedida de Ontem - Anita G", "Rosetta" e "A Virgem Desnudada por seus Celibatários" serão exibidos nos dias 3, 10, 17, 24 e 31, respectivamente, às 19h30, na Sala Multimeios do CCBH. A entrada é franca e os ingressos disponíveis serão distribuídos meia hora antes de cada sessão. A promoção é da Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Fundação Municipal de Cultura e do Centro de Cultura Belo Horizonte, localizado na Rua da Bahia, 1149, em parceria com o Grupo 23:58.
Em uma arte dominada por homens, as mulheres sempre tiveram um papel importante, mas em geral na frente das câmeras. O olhar masculino dominou o que se entende pelo olhar cinematográfico. Na história do Cinema, as mulheres ganharam importância quase sempre em razão da sensibilidade de cada diretor, adquirindo a sua autonomia apenas em casos particulares e nas últimas décadas do século XX. Esta mostra pretende fazer um painel, no que for possível, desta visão masculina da mulher através do cinema. Uma mostra seguinte do Cineclube Subterrâneos pretende fazer o caminho inverso; o de apresentar a visão cinematográfica feminina sobre o mundo.
O Cineclube Subterrâneos surgiu a partir da idéia do Grupo 23:58 de trazer para Belo Horizonte um cinema diferente.
Confira a programação:
Dia 03/08 – Madre Joana dos Anjos (POL/1961/Direção: Jerzy Kawalerowicz)
Dia 10/08 – Faster Pussycat! Kill! Kill! (EUA/1965/Direção: Russ Mayer)
Dia 17/08 – Despedida de Ontem – Anita G (ALE/1966/Diretor: Alexander Kluge)
Dia 24/08 – Rosetta (BEL/FRA/1999/Direção: Jean-Pierre e Luc Dardenne)
Dia 31/08 – A Virgem Desnudada por seus Celibatários (KOR/2000/Direção: Hong Sang Soo)
Mais Informações: 3277-4497 (CCBH)

“Mostra Minas de Cinema e Vídeo” chega a sua
5ª edição no Centro Cultural Pampulha
O Centro Cultural Pampulha recebe em agosto a “V Mostra de Cinema e Vídeo” com exibições de documentários, animações e ficções em curta-metragem com comentários de Rubens Rangel e malu Jácome, integrantes do "A Tela e o Texto", da UFMG. A mostra expõe o talento de escritores, roteiristas, cineastas e a qualidade da produção artística mineira e abre um importante espaço para o estudo das relações entre Cinema, Educação e Literatura. As sessões acontecem de
Confira a programação:
Dia 04/08
“Normal” (Ficção/2007/15'/ Direção: Márcia Vieira e Tadeu Albergaria)
“Lúmen” (Animação/2007/3'53"/ Direção: Wiliam Salvador Santos)
“Eu sou como o polvo” (Experimental/2006/4'/ Direção: Sávio Leite)
“Era uma vez...” (Ficção/2006/ 9'40"/ Direção: Giselle Werneck, Guilherme Reis e Byron O'Neill)
“Belo Horizonte que chove” (Vídeo-Poema/2007/13'/ Direção: Rodrigo Nascimento)
“Crisálidas” (Experimental/2006/ 7'15"/ Direção: Fernando Mendesbr)
“Ausência” (Experimental/2007/11'50"/ Direção: Cássio Lignani e Leonardo Rocha)
Dia 11/08
“Ao mesmo tempo” (Documentário/2006/27'49"/ Direção: Mariana Karla de Oliveira Costa)
“Nós de gravata” (Animação/2007/4'40"/ Direção: Mateus Di Mambro)
“Ou a noite incompleta” (Vídeo-Poema/2006/15'/ Direção: Affonso Uchoa, Luiz Gabriel Lopes, Maurício Rezende e Priscila Amoni)
“Solidão sem fim” (Animação/2007/4'20"/ Direção: Alexandre Costa)
Dia 18/08
“Pensando um curta” (Ficção/2007/10'/ Direção: Diego Miranda)
“O mesmo reflexo” (Vídeo-Poema/2007/1'20"/ Direção: Francis Campelo)
“Hip Hop rua” (Documentário/2007/14'/ Direção: Vilmar Duarte Pereira e Raphael Sardinha)
“Manipulação de massa” (Documentário/2005/10´19”/ Direção: Guilherme Reis)
“O perdão muda o mundo?” (Animação/2005/2´09”/ Direção: Alexandre Costa)
Dia 25/08
“Língua de brincar” (Documentário/2006-2007/125'/ Direção: Lúcia Castello Branco e Gabriel Sanna)
Mais Informações: 3277-9292 / 9293 (CCP)

No mês de agosto, o CCBH homenageia Nelson Rodrigues, um dos maiores autores brasileiros, na mostra “Nelson Rodrigues no Cinema”. Os filmes selecionados são baseados nos textos do escritor, como “Boca de Ouro”, “A Falecida”, “Toda Nudez Será Castigada”, “A Dama do Lotação”, “O Beijo no Asfalto”, “Bonitinha Mas Ordinária” e “Vestido de Noiva”. As sessões acontecem nas sextas-feiras e aos domingos, sempre às 19h, na Sala Multimeios do CCBH. A entrada é franca e os ingressos disponíveis serão distribuídos meia hora antes de cada sessão. A promoção é da Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Fundação Municipal da Cultura e do Centro de Cultura Belo Horizonte, localizado na Rua da Bahia, 1149, Centro.
Nelson Rodrigues modernizou o palco brasileiro com a autoria da peça "Vestido de Noiva", estreada em 1943. Nas ragédias cariocas fundem-se, em geral, a realidade, freqüêntemente vinculada à Zona Norte do Rio e o mundo interior das personagens, com suas fantasias nutridas de mitos. O prosaísmo das vidas truncadas, maltratadas por um cotidiano infeliz, se resgata pela presença sempre vigorosa da transcendência, dando ao destino humano um sentido superior.
Os três planos do texto - realidade, memória e alucinação - privilegiaram o subconsciente da heroína, novidade num teatro que ainda se movimentava na psicologia tradicional. “A Mulher Sem Pecado” (1941), que lançou o autor, já estava prestes a romper a censura do consciente. Se “Vestido de Noiva” é a projeção exterior da mente da protagonista, o monólogo “Valsa nº
Nelson, que era o quinto filho dos catorze do casal Maria Esther Falcão e Mário Rodrigues, nasceu em 23 de agosto de 1912, na cidade do Recife, em Pernambuco, e faleceu em 1980.
Confira a programação:
Dia 06/08 - Boca de Ouro (1962/ Direção: Nelson pereira dos Santos)
Dia 08/08 - A Falecida (1965/ Direção: Leon Hirszman)
Dia 13/08 - Toda Nudez Será castigada (1973/ Direção: Arnaldo Jabor)
Dia 20/08 - A Dama do Lotação (1978/ Direção: Neville de Almeida)
Dia 22/08 - O Beijo no Asfalto (1980/ Direção: Bruno Barreto)
Dia 27/08 - Bonitinha mas Ordinária (1981/ Direção: Braz Chediak)
Dia 29/08 - Vestido de Noiva (2006/ Direção Joffre Rodrigues)
Mais Informações:
3277-4497 (CCBH)

Cinema saudável e nutritivo
Desde “Toy Story” (1995), a primeira animação de computador em longa-metragem, que o estúdio Pixar não erra a mão no tempero. A cada trabalho realizado, o estúdio enriquece o seu rico cardápio (sempre apresentando um mundo novo) e o espectador se delicia com boas doses de criatividade, tecnologia e, claro, de um roteiro bem temperado e bem nutrido. Isso faz com que o ingrediente principal, a alegria, seja saboreado por crianças de todas as idades com histórias cada vez mais gostosas. A oitava “refeição” feita pela Pixar é de dar água na boca, é apetitosa e dá vontade de repetir. Estou falando de “Ratatouille”, a mais nova opção no menu da criançada que oferece um filme saudável, nutritivo, bem preparado e que deverá agradar todos os paladares.
Remy (voz de Patton Oswalt) é um rato que vive numa cidadezinha do interior da França, próximo a Paris. O seu sonho é se tornar um chef de cozinha, mas o fato de ser um ratinho pode atrapalhar seus planos. Por isso, forma uma improvável parceria com Linguini (voz de Lou Romano), o novo ajudante de cozinha do restaurante Gusteau’s, para tentar colocar em prática suas habilidades e realizar o tão impossível sonho.
“Ratatouille”, dirigido por Brad Bird (“Os Incríveis”) e Bob Peterson, é encantador. A tecnologia da computação gráfica é deslumbrante ao apresentar um realismo que impressiona por suas cores suaves e texturas. Tecnicamente falando é um primor, desde os trejeitos dos personagens, as estruturas digitais do protagonista-roedor (os pêlos de Remy parecem reais), os objetos, os alimentos, a água e o fogo, até a fotografia no ângulo dos ratos, que homenageia Paris reproduzindo à perfeição as luzes da capital francesa em locações vistosas. Não é atoa que a produção tirou mais de 4.500 fotografias de referência de Paris para trabalhar no ambiente e na iluminação do longa.
Há também ágeis movimentos de “câmeras”, principalmente nas boas cenas de ação (resumidas a perigos e armadilhas repletos de perseguições), e seqüências subjetivas interessantes que acompanham Remy em seu deslocamento entre esgotos e fendas de casas. Existe uma seqüência em traveling que vemos vários apartamentos em Paris através da perspectiva do protagonista, cena semelhante a uma exibida em “Minority Report”, que, segundo Bird, foi ligeiramente influenciada por “Janela Indiscreta”, de Alfred Hitchcock.
A impecável trilha sonora do compositor Michael Giacchino (“Os Incríveis”) é contagiante e mantém a harmonia e o interesse do espectador à película misturando acordes franceses com influências jazzísticas ao som de instrumentos pouco convencionais, como gaitas e acordeões.
O roteiro, escrito por Brad Bird, é uma refeição a parte, recheado dos tradicionais temas universais que nunca deixam de serem nutritivos, como a amizade, a lealdade, a união, a questão familiar, a busca da própria independência, o ato de não roubar, a importância de sermos verdadeiros, a necessidade de auto-aceitação, nunca desistir dos nossos sonhos e a capacidade de realizar tarefas que pensamos ser impossíveis (motivação vista no longa na forma do livro “Todos Podem Cozinhar”, escrito pelo personagem Gusteau que é dono do famoso restaurante do filme).
* * * Continua abaixo * * *
Os grandes trunfos do roteiro são o seu paladar refinado sobre gastronomia e a autenticidade em criar um universo de um ratinho que sonha em ser chef de cozinha. Com sofisticados e artísticos pratos da culinária francesa, o filme explora a preparação dos alimentos e revela à criançada como é o cotidiano da cozinha de um luxuoso restaurante. De tão realista a animação até imaginamos o aroma das panelas ao fogo e das refeições digitais.
Em meio a tantos temas e deliciosas comidas, ainda sobra espaço para os realizadores criticarem, com razão, a comida fast-food. Isso, no entanto, serve de mote para o vilão chef Skinner (voz de Ian Holm) em deixar de lado a criatividade gastronômica (inclusive ele é contra o livro de Gusteau) para se acomodar com a “comida rápida” de baixa qualidade, que poderá comprometer o status do famoso restaurante. Mais uma vez a mensagem subliminar faz uma crítica ferrenha à qualidade dos alimentos que comemos. Isso, porém, difere Remy de outros ratos que sempre se preocupa em comer um bom alimento ao invés do lixo.
Uma boa sacada no script são os personagens e as situações de fácil identificação com o público. Além do trapalhão e convencional jeitão de Linguini, Remy é a locomotiva da trama. Com o olfato aguçado, a facilidade de combinar ingredientes e a persistência em realizar seu sonho e se tornar famoso, o cozinheiro roedor sabe que será impossível ter fama junto aos humanos, mas sempre se esforça para se auto-realizar e demonstrar às pessoas ao seu redor a sua força de vontade de alcançar seus objetivos. O ratinho ainda tem uma relação interessante com o pai conservador que não consegue entender a maneira de pensar e o caráter diferenciado de seu filho. Outros personagens de destaque são os vilões chef Skinner, cujo nome foi dado em homenagem ao psicólogo behaviorista B.F. Skinner, famoso por suas experiências com ratos, e o crítico gastronômico Anton Ego (dublado na versão original por Peter O'Toole), que é o “lado negro” das expectativas dos protagonistas, pois sua presença representa a ameaça máxima na decadência do restaurante. Sua alma crítica é proferida quando ele diz não querer o melhor prato da casa, apenas deseja ser surpreendido.
"Ratatouille" pode não ter as altas doses de humor que acostumamos ver nos filmes da Pixar, mas tem o ingrediente perfeito para fascinar e divertir qualquer criança ou adulto que prove das delícias que o filme oferece. É um entretenimento de primeira e com uma nutrição invejável difícil de ver nos cinemas. Ah! E como é de tradição, não perca o aperitivo de entrada, o hilariante e genial curta-metragem “Quase Abduzido”.
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(Ratatouille/EUA/2007) * * * * *
Crítica N.º 488
Por Ricardo Morgan
Belo Horizonte – 02/07/07
Confira o trailer de "Ratatouille":

"Cidadão Kane" no topo
O American Film Institute (AFI) lançou a nova lista dos 100 melhores filmes de todos os tempos. Foi realizada uma ampla votação entre críticos de cinema, cineastas e jornalistas para a seleção das melhores películas. A última votação foi em 1997 e teve como grande vencedor o clássico "Cidadão Kane" (1941) de Orson Welles, que repetiu a façanha de estar no topo da lista neste ano.
Confira logo abaixo a relação completa da nova lista elaborada pela AFI:
1 - Cidadão Kane
2 - O Poderoso Chefão
3 - Casablanca
4 - Touro Indomável
5 - Cantando na Chuva
6 - ...E o Vento Levou
7 - Lawrence da Arábia
8 - A Lista de Schindler
9 - Um Corpo que Cai
10 - O Mágico de Oz
11 - Luzes da Cidade
12 - Rastros de Ódio
13 - Guerra nas Estrelas
14 - Psicose
15 - 2001 - Uma Odisséia no Espaço
16 - Crepúsculo dos Deuses
17 - A Primeira Noite de um Homem
18 - A General
19 - Sindicato dos Ladrões
20 - A Felicidade Não Se Compra
21 - Chinatown
22 - Quanto Mais Quente Melhor
23 - As Vinhas da Ira
24 - E.T. - O Extraterrestre
25 - O Sol é para Todos
26 - A Mulher Faz o Homem
27 - Matar ou Morrer
28 - A Malvada
29 - Pacto de Sangue
30 - Apocalypse Now
31 - Relíquia Macabra
32 - O Poderoso Chefão II
33 - Um Estranho no Ninho
34 - Branca de Neve e os Sete Anões
35 - Noivo Neurótico, Noiva Nervosa
36 - A Ponte do Rio Kwai
37 - Os Melhores Anos de Nossas Vidas
38 - O Tesouro de Sierra Madre
39 - Dr. Fantástico
40 - A Noviça Rebelde
41 - King Kong
42 - Uma Rajada de Balas
43 - Perdidos na Noite
44 - Núpcias de Escândalo
45 - Os Brutos Também Amam
46 - Aconteceu Naquela Noite
47 - Uma Rua Chamada Pecado
48 - Janela Indiscreta
49 - Intolerância
50 - O Senhor dos Anéis - A Sociedade do Anel
51 - Amor, Sublime Amor
52 - Taxi Driver
53 - O Franco-Atirador
54 - M*A*S*H*
55 - Intriga Internacional
56 - Tubarão
57 - Rocky, um Lutador
58 - Em Busca de Ouro
59 - Nashville
60 - Diabo a Quatro
61 - Contrastes Humanos
62 - Loucuras de Verão
63 - Cabaret
64 - Rede de Intrigas
65 - Uma Aventura na África
66 - Os Caçadores da Arca Perdida
67 - Quem Tem Medo de Virginia Woolf?
68 - Os Imperdoáveis
69 - Tootsie
70 - Laranja Mecânica
71 - O Resgate do Soldado Ryan
72 - Um Sonho de Liberdade
73 - Butch Cassidy
74 - O Silêncio dos Inocentes
75 - No Calor da Noite
76 - Forrest Gump - O Contador de Histórias
77 - Todos os Homens do Presidente
78 - Tempos Modernos
79 - Meu Ódio Será Sua Herança
80 - Se Meu Apartamento Falasse
81 - Spartacus
82 - Aurora
83 - Titanic
84 - Sem Destino
85 - Uma Noite na Ópera
86 - Platoon
87 - Doze Homens e Uma Sentença
88 - Levada da Breca
89 - O Sexto Sentido
90 - Ritmo Louco
91 - A Escolha de Sofia
92 - Os Bons Companheiros
93 - Operação França
94 - Pulp Fiction - Tempo de Violência
95 - A Última Sessão de Cinema
96 - Faça a Coisa Certa
97 - Blade Runner, o Caçador de Andróides
98 - A Canção da Vitória
99 - Toy Story
100 - Ben-Hur

Confira nos links abaixo, o documentário completo "A Carne é Fraca".
O vídeo, produzido pelo Instituto Nina Rosa e dirigido por Denise Gonçalves, mostra a realidade nos abatedouros no Brasil e o impacto ambiental causado por essas empresas de abate.
Duração: aproximadamente 50 minutos.
Parte 1:
Parte 2:
Parte 3:
Parte 4:
Parte 5:
Parte 6:

"Shrek Terceiro" peca no excesso de personagens
Atualmente, quando uma história é prolongada em continuações cinematográficas, os produtores e roteiristas têm mania de inserir vários novos personagens e histórias mais detalhadas. Isso, na maioria das vezes, pode prejudicar o roteiro, exige um esforço maior na direção e pode irritar o espectador, que acabam assistindo longas medianos ou ruins. Sem falar na pressa da produção em faturar seus milhões quando um determinado tema ainda está quente na mídia, fato que contribui para que o filme apresente fracos roteiros recheados de furos e clichês. Os exemplos disso são os recentes "Homem Aranha 3" e "Piratas do Caribe - No Fim do Mundo". Infelizmente, "Shrek Terceiro" se encontra nessa "cultura fast food" do cinema, ou seja, é uma produção feita as pressas, é de rápido consumo e proporciona dinheiro rápido nos cofres da produtora.
Quando o rei Harold (voz de John Cleese na versão americana), pai de Fiona (Cameron Diaz), morre, Shrek (Mike Myers) recebe o convite de ser o Rei do reino de Tão Tão Longe. Ao recusar o convite, Shrek, Burro (Eddie Murphy) e o Gato de Botas (Antonio Banderas) precisam encontrar alguém que possa substituí-lo no cargo. O principal candidato é o primo de Fiona, Arthur (Justin Timberlake), um jovem que é chacoteado por todos no lugar em que vive. Shrek corre contra o tempo para achar Arthur e levá-lo para Tão Tão Longe antes que o Príncipe Encantado (Rupert Everett) promova um golpe de estado para se tornar Rei.
As aventuras anteriores de Shrek faziam da sátira o fio condutor do sucesso da animação. O fato de brincar com os contos de fadas geravam missões divertidíssimas para os protagonistas. Nesta terceira seqüência o humor de duplo sentido que conquistou os adultos e a parodia das referências icônicas dos contos de fadas, que acostumamos a assistir nos filmes anteriores, estão em segundo plano e menos presentes.Na trama todos os personagens estão mais coadjuvantes do que nunca e Shrek não é mais o centro das atenções. O roteiro dá mais espaços para os diversos personagens, alguns são novos como Arthur (não soa como sátira da famosa lenda), Lancelot, Merlin (que está a la Monty Python) e as árvores de o "Senhor dos Anéis – As Duas Torres", e outros, que já existiam, ganharam mais destaques, como o Capitão Gancho, a Rapunzel, a Branca de Neve, a Cinderela, a Bela Adormecida, o barman travesti e o Príncipe Encantado. O excesso de novos personagens deixou cair um pouco a qualidade do script e fez da direção do estreante Chris Miller (substituiu Andrew Adamson) oscilar eficiência e insegura em certos momentos. Por causa disso, o enredo tenta enfocar todos ao mesmo tempo de maneira rápida e as vezes equivocada, surgindo os tradicionais furos. Sem falar nos protagonistas, principalmente o Gato de Botas e o Burro falastrão, que estão menos expostos na história.
Os outros pontos negativos do roteiro são as situações cômicas que estão recauchutadas, semelhantes com as piadas situacionais do segundo filme, e a falta de originalidade e do sarcasmo inteligente de Shrek dos longas anteriores. Por outro lado, o script acerta em retratar o protagonista em uma interessante crise de meia idade, tendo que lidar com a preocupação de ter um novo e mais exigente emprego, no caso de ser ganhar o trono do reino Tão Tão Distante após a morte de seu sogro, e o medo de ter filhos.
Os destaques do filme ficam por conta da deslumbrante parte técnica e do visual cada vez mais colorido. Pena que sejam poucos os bons momentos do roteiro, como os primeiros 15 minutos, a aparição dos filhotes do Burro, o flashback do biscoito, o pesadelo de Shrek (satiriza "O Bebê de Rosemary"), a seqüência que brinca com "As Panteras" (principalmente a cantoria da Branca de Neve para atrair os bichos) e os minutos finais após o clímax. Outro destaque é a dublagem em português que traz Mauro Ramos no lugar do falecido Bussunda, do "Casseta & Planeta", na voz de Shrek. O dublador, que foi responsável pelas vozes de Pumba, em "Rei Leão", e de Abu, em "Samurai Jack", havia sido escalado pela Paramount para fazer a voz do ogro desde o primeiro filme, porém na última hora foi substituído por Bussunda.
O ogro mais famoso do cinema continua verde, feio e cheio de problemas para resolver em sua vida, porém o mais grave deles é não conseguir ser tão engraçado como nas aventuras anteriores. "Shrek Terceiro", embora peque em alguns aspectos tradicionais vistos em continuações, é mediano e está longe de ter uma narrativa contagiante como nos seus antecessores. Certamente deverá agradar mais o público infantil. Para o público adulto ele é divertidinho, apenas troca as gargalhadas por leves sorrisos.
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(Shrek The Third/EUA/2007) * * *
Crítica N.º 487
Por Ricardo Morgan:
cinetrix@hotmail.comBelo Horizonte – 19/06/07
Confira o trailer de "Shrek Terceiro":

1961 d.C.
O filme "Os 300 de Esparta", de 1961, dirigido por Rudolph Mate e estrelado por Richard Egan (Rei Leônidas), Ralph Richardson (Themistocles de Atenas), Diane Baker (Ellas), Barry Coe (Phylon) e David Farrar (Xerxes), valoriza os elementos históricos. Com filmagens na Grécia, o longa fez sucesso na época de seu lançamento e alimentou a febre do gênero que estava em ascensão no cinema.
A produção, que está disponível em DVD no mercado, é bem inferior na qualidade técnica e de conteúdo de longas da mesma época, como "Ben Hur" (1959), de William Wyler, e "Spartacus" (1960), de Stanley Kubrick. A falta de recursos naquela data de se produzir um filme épico é bastante visível, principalmente quando se diz respeito a ausência de infra-estrutura para dar realismo aos longas. Um exemplo disso em "Os 300 de Esparta" é a falta de figurantes. Citado nos textos de Heródoto como milhões de soldados, o filme apresenta um exército persa com pouqíssimos homens, difícil de acreditar no exército mostrado na película.
O frágil roteiro, escrito pelo diretor Rudolph Mate e por George St. George e baseado nos textos do historiador Heródoto, permite um espaço maior para alguns personagens, tem um fundo histórico fiel e, infelizmente, se perde do desenvolvimento político da trama em relação a batalha. Aqui, as figuras da narrativa são mostradas de maneira humana. Xerxes tem boa presença no enredo, participa das intrigas nos bastidores da batalha e está obcecado para vingar a morte do pai Dario I. Leônidas é quase um coadjuvante e demonstra coragem e fraternidade. Já o ladrão e traidor Efialtes aparece pouco, não sabemos nada sobre o seu passado e quase não tem falas, porém tem uma presença decisiva no combate.
O script não deixa de fora as tradicionais frases de efeito, como "à noite tem mais fogueiras de acampamento do que estrelas no céu... ‘quando garoto, eu sempre quis tocar as estrelas coma minha lança", "volte vitorioso com este escudo, ou morto sobre ele" e "nossas flechas encobrirão o sol... então lutaremos na sombra".
A trama evita mostrar os treinamentos espartanos e retrata os dias que precedem a grande batalha de Termópilas. Inclusive, valoriza alguns elementos históricos, como as discussões pré-guerra do conselho espartano e a trajetória do guerreiro Agathon, após ser capturado pelos soldados de Xerxes é libertado para contar a Leônidas o tamanho dos persas. A ação se divide nas discussões políticas do conselho, na preparação de Xerxes antes da guerra, e na escursão de Leônidas, após infringir as leis espartanas.
Muitas passagens soam artificiais e mal conduzidas, desde as atuações novelescas do elenco, as intrigas políticas que estão soltas no roteiro, os romances sem tempero até a fraca cena de batalha no final. Parece que não se preocuparam em criar coreografias para as lutas. Apenas os primeiros embates entre gregos e persas são interessantes. A ótima e bem desenhada direção de arte, o competente figurino, as belas locações e a demonstração de coragem dos espartanos no clímax se sobressaem no filme.
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(The 300 Spartans, EUA, 1961) * * *
Crítica N.º 486
Por Ricardo Morgan: cinetrix@hotmail.com
Belo Horizonte – 06/04/07
Confira o trailer de "Os 300 de Esparta":

2007 d.C.
A história de Frank Miller, inspirado nos textos de Heródoto, o qual "300" foi baseado, tem um pé na realidade e outro na ficção. "O filme é uma história sob a perspectiva espartana. São caras que procuram por uma morte bela. São pessoas que jogam crianças que julgam imperfeitas na colina e espancam os filhos para que fiquem durões", afirma o diretor Zack Snyder, em entrevista publicada na revista Galileu, de março de 2007. A verdade é que o fato histórico serve apenas como um pano de fundo para o longa.
O roteiro, escrito por Snyder, Kurt Johnstad e Michael Gordon, se afasta um pouco do contexto histórico e constrói um universo fantástico semelhante ao livro, repleto de ação, tragédias, violência artística, virilidade e absurdos, narrado em off de pelo personagem Dilios. O foco está sempre na trupe dos 300 de Esparta, fato que deixa de lado uma abordagem sobre os outros exércitos gregos e a batalha naval entre os navios atenienses e persas.
A trama, apesar de ser fraca ao tentar abordar a intriga política, é eficiente ao inserir elementos fictícios que enriquecem a aventura, como na caracterização dos soldados persas com rostos monstruosos (lembram os monstrengos de "O Senhor dos Anéis"), o tamanho exagerado (3 metros de altura) e a voz amplificada de Xerxes, a assustadora arte com corpos mortos que são empilhados como muralhas ou dependurados em árvores, e as situações inventadas na conclusão (será que foi aquilo mesmo que aconteceu? Pois Dilios não estava lá para relatar a história).
O ponto fraco da produção é a subtrama puramente hollywoodiana, cansativa e mal explorada, que envolve o personagem Theron, inventado para o longa-metragem. Ele participa do drama paralelo com a Rainha espartana Gorgo, e tem o objetivo de manipular o conselho espartano a resolver a situação a favor de Xerxes, contrariando a Rainha que tenta convencê-los a guerrear pela liberdade Espartana. Parece obsessão de Hollywood em inserir traições diplomáticas e desejos sexuais, assim como a inserção de clichês, como "atrás de cada homem existe uma grande mulher" e inúteis cenas de sexo. Esta última, embora não tenha no quadrinho, pode servir como um contraponto "homoerótico", devido à escassez do figurino dos soldados espartanos que exibe homens másculos e seminus.
Nas entrelinhas de "300", há uma leitura política atual sobre o conflito de civilizações e uma apologia antiterrorista. Coincidência ou não, o melhor exemplo é a invasão norte-americana ao Iraque.
A tecnologia para a inserção dos cenários digitais é a mesma utilizada em "Capitão Sky e o mundo de amanhã" e "Sin City". "Preciso dar crédito a Robert (Rodriguez) por criar uma estética Frank Miller", declara o diretor Snyder, em entrevista concedida a revista SET, de março de 2007, referindo-se da influência de "Sin City" em "300". Um detalhe que deixou a ação mais realista foi o intenso treinamento das coreografias dos atores.
Falando no elenco, o destaque vai para o escocês Gerard Butler ("O Fantasma da Ópera"), que interpreta Leônidas, e o brasileiro Rodrigo Santoro ("Simplesmente Amor"), que faz o seu melhor trabalho em Hollywood vivendo o imperador Xerxes. Butler carrega seu personagem à base de discursos militaristas, muita testosterona e gritos, retratando com eficiência a bravura e a ousadia (a desobediência de Leônidas após o conselho de magos e anciãos rejeitar seu pedido de guerrear contra os persas) de um Rei que não está acostumado a perder batalhas. Já Santoro, se vê com três metros de altura, voz extremamente grave e com figurino caricato repleto de pingentes e piercings de ouro, encarna bem o personagem que procura ter a postura de um "quase Deus" másculo. Ao mesmo tempo ele é delicado e arrogante.
O grande barato de "300" é o seu visual arrebatador. O filme mistura fotografia sépia dessaturada e imagens aquareladas para retratar com fidelidade a fantasia de Miller em sua novela gráfica. Os outros destaques da bela estética são a violência estilizada e artística que valoriza sempre a cor vermelha, os deslumbrantes efeitos digitais, as contagiantes batalhas regadas ao som do rock e as movimentações de câmera, muitas delas em tomadas lentas, que fazem de "300" um espetáculo de rara beleza e um entretenimento de primeira.
Comparando à HQ com o filme, a maioria das imagens e diálogos do livro está transposta com fidelidade à película de Zack Snyder. No entanto, se analisarmos as cenas do filme em relação à HQ, descobriremos diversas situações maquiadas, como a inexistente cena de sexo entre Leônidas e Gorgo, os gigantes persas, a queda de um rinoceronte, a criança que morre nos braços de Leônidas após um ataque persa e a bela e bizarra árvore de mortos. Inclusive, a subtrama política envolvendo Theron e Gorgo, que deixou o drama paralelo do filme pobre, nem sequer são mencionados por Miller. Os traços da rainha Gorgo mal aparecem no livro, ao contrário do longa, onde ela desempenha um papel importante.
A extensão inventada pelo roteiro do filme não chegou a ser um grande problema. Se não fossem pela espetacular estética e pela parte técnica do longa para esquecermos as "anomalias" forjadas, com certeza o filme seria presa fácil para um possível fracasso na batalha pelo topo das bilheterias.
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(300/EUA/2007) * * * *
Crítica N.º 485
Por Ricardo Morgan: cinetrix@hotmail.com
Belo Horizonte – 06/04/07
Confira o trailer de "300":
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